A Relação Família-Escola: Intersecções e Desafios PDF

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Universidade de Brasília

Cynthia Bisinoto Evangelista de OLIVEIRA, Claisy Maria MARINHO-ARAÚJO

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family-school relationship psychology education family

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This document analyzes the family-school relationship, exploring sociological and psychological perspectives. It reviews research on this topic, highlighting the challenges and opportunities for improving these relationships in Brazil. The document suggests that current relationships are often marked by problems, with schools sometimes advising parents on child-rearing.

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A relação família-escola: intersecções e desafios1 The family-school relationship: convergences and challenges Cynthia Bisinoto Evangelista de OLIVEIRA2 Claisy Maria MARINHO-ARAÚJO2...

A relação família-escola: intersecções e desafios1 The family-school relationship: convergences and challenges Cynthia Bisinoto Evangelista de OLIVEIRA2 Claisy Maria MARINHO-ARAÚJO2 Resumo A partir de revisão de literatura, este trabalho analisa questões referentes à relação família-escola. Apresenta-se a definição de família, suas diferentes composições e sua função específica; abordam-se a especificidade da escola e a interdependência existente entre a família e esse sistema. Exploram-se concepções acerca desta relação, as quais são divididas entre enfoque sociológico e psicológico. Relatos de pesquisas que investigaram esta relação sob o ponto de vista dos diferentes atores envol- vidos são apresentados. As reflexões desencadeadas pela revisão bibliográfica apontam uma relação marcada por situações vinculadas a algum problema, pela ação da escola em orientar os pais sobre como educar seus filhos, e pelo decréscimo da participação dos pais nas atividades escolares à medida que o filho avança nas séries. Diante do panorama atual das relações família-escola, tem-se o desafio de realizar novas pesquisas e contribuir para transformar esta relação por meio da valorização dos aspectos positivos relacionados ao processo educativo. Unitermos: Relações pais-escola. Psicologia escolar. Educação. Abstract Based on a study of the literature, this work analyzes questions related to the family-school relationship. It offers a definition of the family, its different compositions and its specific function; it deals with the specifics of school and the existing interdependence between both systems. Concepts concerning this relationship are explored, which are divided into a sociological and a psychological approach. Researches involving the family-school relationship are presented, according to special treatment to the views of the various players involved in the relationship. The reflections from a study of the literature suggest a relationship punctuated by situations with some kind of problem, by the school’s actions in teaching the parents about how to be parents and by the decreased participation of parents in school activities as the child progresses through school. Given the present situation with family-school relationships, the challenge is to develop new research and help to transform this relationship through the appreciation of the positive aspects related to the educational process. Uniterms: Parent-school relationship. School psychology. Education. A RELAÇÃO FAMÍLIA-ESCOLA A temática da relação família-escola tem sido Apesar de a família e a escola serem os principais pouco pesquisada no contexto brasileiro pela contextos de desenvolvimento humano, poucos psicologia e, especialmente, pela psicologia escolar. estudos científicos têm-se dedicado a compreen- ▼▼▼▼▼ 1 Artigo elaborado a partir da dissertação de C.B.E. OLIVEIRA, intitulada “Psicologia escolar e a relação família-escola no ensino médio: estudando as concepções desta relação”. Universidade de Brasília, 2007. 2 Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia, Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento. Campus Universitário Darcy Ribeiro, 70910-900, Brasília, DF, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: C.B.E. OLIVEIRA. E-mail:. 99 Estudos de Psicologia I Campinas I 27(1) I 99-108 I janeiro - março 2010 der de forma sistemática a relação existente entre De acordo com Trost (1995), a menor unidade de ambas. grupo é o casal, uma díade ou um par e, em seu enten- Se, por um lado, a relevância da família e da dimento, uma família se forma quando um casal se escola como contextos privilegiados de desenvol- casa ou quando passa a viver na mesma casa (coabi- vimento humano está bastante consolidada em virtude tação), ou mesmo quando uma criança nasce e é criada dos estudos da psicologia da família e da psicologia do por apenas um dos pais solteiros (pai ou mãe). Esta desenvolvimento, por outro, os aspectos que consti- concepção privilegia a díade enquanto unidade mínima tuem e intervêm na relação entre estes dois contextos, da família, que deve ser constituída, pelo menos, por sejam como barreiras à colaboração ou contribuindo dois adultos ou por um adulto e uma criança. Infere-se, para a sua promoção, ainda não estão suficientemente da definição de Trost (1995) acerca da família, que se estabelecidos. Ocorre, então, que um dos reflexos do incluem os casais que se constituíram legalmente, me- baixo desenvolvimento de pesquisas científicas voltadas diante casamento civil e/ou religioso, e também os que apenas optaram por morar juntos, considerando, ainda, à inter-secção que se estabelece cotidianamente entre os casais heterossexuais e homossexuais. a família e a escola é a ausência de publicações sufi- cientemente atuais nesta temática. Buscando estabelecer uma definição de família, Petzold (1996) lembra que o critério de intimidade deve Diante do exposto, este trabalho configura-se ser a variável fundamental para definir família, o que, como uma oportunidade para ampliar a publicação consequentemente, reflete-se no fato de que mesmo sobre o tema da relação família-escola no contexto brasi- os casais sem filhos são reconhecidos como uma uni- leiro, somando-se às já existentes, contempladas neste dade familiar. A partir desta consideração, a família é trabalho. um grupo social especial, caracterizado por intimidade De forma geral, as pesquisas que têm essa temá- e por relações intergeracionais (Petzold, 1996). tica como objeto de estudo priorizam a investigação Focalizando a realidade brasileira no que con- junto a um dos segmentos desta relação, principalmente cerne à definição de família, a Constituição da República os pais e os professores. Diferentemente, este trabalho Federativa do Brasil (1988) estabelece os princípios traduz o esforço de reunir e apresentar a opinião dos fundamentais em relação à instituição familiar e reco- diferentes atores envolvidos na relação: os pais, os alunos nhece como entidade familiar a união estável entre e a escola, representada por seus professores e pelos homem e mulher, ou a comunidade formada por quais- psicólogos escolares. quer dois pais e seus descendentes. Nota-se uma dife- Desta forma, a partir do estudo da literatura sobre rença significativa na definição estabelecida pela Cons- a relação família-escola, este artigo traz a análise de tituição Brasileira em relação às apresentadas anterior- algumas questões referentes a esta temática, sinalizando mente quanto à não inclusão das relações não hete- pontos que favorecem a compreensão atual desta rela- rossexuais enquanto unidade familiar. C.B.E. OLIVEIRA & C.M. MARINHO-ARAÚJO ção, bem como outros que apontam para a modificação Apesar da crescente discussão acerca das possí- e o sucesso da mesma. veis definições de família e da busca por um conceito comum, ainda não é possível afirmar que exista uma A família é considerada a primeira agência edu- definição de família que seja aceita e adotada consen- cacional do ser humano e é responsável, principalmente, sualmente pelos estudiosos da área, pelas instituições pela forma com que o sujeito se relaciona com o mundo, governamentais e pela sociedade. Mesmo não havendo a partir de sua localização na estrutura social. essa concordância unânime acerca da definição de Existem muitas formas de entender o conceito família, há que se privilegiar aquelas definições que de família, sendo que suas definições tradicionais contemplam as variáveis mínimas, ou básicas, do que baseiam-se em diferentes critérios como, por exemplo, se entende por família, pois é a partir destas variáveis restrições jurídicas e legais, aproximações genealógicas, que se poderão realizar estudos e pesquisas mais perspectiva biológica de laços sanguíneos e compar- amplos e representativos das relações humanas. Tais 100 tilhamento de uma casa com crianças (Petzold, 1996). variáveis se referem, neste momento, à existência de Estudos de Psicologia I Campinas I 27(1) I 99-108 I janeiro - março 2010 uma díade e à intimidade vivenciada por seus membros família dizendo que “a educação moral, ou seja, a tras- nesta relação. missão de costumes e valores de determinada época Em função desta ampliação conceitual sobre torna-se, nesta perspectiva, seu principal objetivo” (p.16). família, o termo permite, atualmente, a inclusão de mo- A responsabilidade familiar junto às crianças em delos variados de família, para além daquele tradicional- termos de modelo que a criança terá e do desempenho mente conhecido. Os modelos familiares não mais se de seus papéis sociais é tradicionalmente chamada de restringem à família nuclear que compreendia a esposa, educação primária, uma vez que tem como tarefa prin- o marido e seus filhos biológicos (Turner & West, 1998). cipal orientar o desenvolvimento e aquisição de com- Atualmente há uma diversidade de famílias no que diz portamentos considerados adequados, em termos dos respeito à multiplicidade cultural, orientação sexual e padrões sociais vigentes em determinada cultura. composições. A escola é a instituição que tem como função a Nesse sentido, os diferentes tipos de família que socialização do saber sistematizado, ou seja, do conhe- têm sido descritos com maior frequência pelos pesqui- cimento elaborado e da cultura erudita. De acordo com sadores da área são: família homossexual ou casais Saviani (2005), a escola se relaciona com a ciência e não homossexuais; família extensa; famílias multigeracionais; com o senso comum, e existe para proporcionar a família reconstituída ou recasada; família de mãe ou pai aquisição de instrumentos que possibilitam o acesso solteiro; casais que coabitam/vivem juntos; viver com ao saber elaborado (ciência) e aos rudimentos (bases) alguém cuidando dele (Petzold, 1996; Stratton, 2003; desse saber. A contribuição da escola para o desen- volvimento do sujeito é específica à aquisição do saber Turner & West, 1998). culturalmente organizado e às áreas distintas de conhe- Tendo em vista a diversidade de organizações cimento. No que diz respeito à família, “um dos seus familiares, considera-se que a referência às famílias diz papéis principais é a socialização da criança, isto é, sua respeito àquelas configurações familiares compostas inclusão no mundo cultural mediante o ensino da língua por, pelo menos, um adulto e uma criança ou adoles- materna, dos símbolos e regras de convivência em cente. grupo, englobando a educação geral e parte da formal, em colaboração com a escola” (Polonia & Dessen, 2005, Função social da família, da escola e p.304). interdependência dos sistemas família e escola Escola e família têm suas especificidades e suas complementariedades. Embora não se possa supô-las Educação e escola têm um relação estreita, como instituições completamente independentes, não apesar de esta não configurar uma relação de depen- se pode perder de vista suas fronteiras institucionais, ou dência, pois há uma distinção entre a educação escolar seja, o domínio do objeto que as sustenta como insti- e a educação que ocorre fora da escola. De acordo com tuições. Guzzo (1990), o sentido etimológico da palavra educar Esses dois sistemas têm objetivos distintos, mas significa promover, assegurar o desenvolvimento de que se interpenetram, uma vez que “compartilham a capacidades físicas, intelectuais e morais, sendo que, de tarefa de preparar as crianças e os jovens para a inserção forma geral, tal tarefa tem sido de responsabilidade dos crítica, participativa e produtiva na sociedade” (Reali & pais. A RELAÇÃO FAMÍLIA-ESCOLA Tancredi, 2005, p.240). A divergência entre escola e família De acordo com Bock, Furtado e Teixeira (1999), o está na tarefa de ensinar, sendo que a primeira tem a grupo familiar tem uma função social determinada a função de favorecer a aprendizagem dos conhecimen- partir das necessidades sociais, sendo que entre suas tos construídos socialmente em determinado mo- funções está, principalmente, o dever de garantir o provi- mento histórico, de ampliar as possibilidades de convi- mento das crianças para que possam exercer futura- vência social e, ainda, de legitimar uma ordem social, mente atividades produtivas, bem como o dever de enquanto a segunda tem a tarefa de promover a sociali- educá-las para que “tenham uma moral e valores com- zação das crianças, incluindo o aprendizado de padrões patíveis com a cultura em que vivem” (p.238). Nesse comportamentais, atitudes e valores aceitos pela mesmo sentido, Oliveira (2002) resume a função da sociedade. 101 Estudos de Psicologia I Campinas I 27(1) I 99-108 I janeiro - março 2010 Desta forma entende-se que, apesar de escola e “desestruturadas”. O ambiente escolar exerce um poder família serem agências socializadoras distintas, as mes- de orientação sobre os pais para que estes possam mas apresentam aspectos comuns e divergentes: com- educar melhor os filhos e estes, por sua vez, possam partilham a tarefa de preparar os sujeitos para a vida frequentar a escola. socioeconômica e cultural, mas divergem nos objetivos Enquanto no enfoque sociológico a família é que têm nas tarefas de ensinar. responsabilizada pela formação social e moral do indiví- duo, no enfoque psicológico ela é responsabilizada pela Relação família-escola formação psicológica. A ideia de que a família é a refe- rência de vida da criança - o locus afetivo e condição Tendo como pano de fundo a divisão de respon- sine qua non de seu desenvolvimento posterior - será sabilidades no que concerne à educação e socialização utilizada para manter certa ligação entre o rendimento de crianças e jovens e a relação que se estabelece entre escolar do aluno e sua dinâmica familiar, colocando, as instituições familiares e escolares, pesquisas e levan- mais uma vez, a família no lugar de desqualificada tamentos acerca desta relação passam a ser objeto de (Oliveira, 2002). estudo de diversas áreas do conhecimento, como a Nesse enfoque, as razões de ordem emocional e psicologia, a sociologia, a educação, entre outras. afetiva ganham um colorido permanente quanto ao Considerando as várias perspectivas e aborda- entendimento da relação família-escola e da ocorrência gens relativas ao tema, os trabalhos e pesquisas sobre a do fracasso escolar. Ganha status natural a crença de temática da relação família-escola podem ser organi- que uma “boa” dinâmica familiar é responsável pelo zados em dois grandes grupos, denominados enfoque “bom” desempenho do aluno. As descrições centradas sociológico e enfoque psicológico (Oliveira, 2002). no plano afetivo ganham a atenção dos professores No enfoque sociológico a relação família-escola que, com algum conhecimento de psicologia, levam é vista em função de determinantes ambientais e cultu- esse discurso para dentro da sala de aula e passam, em rais. A relação entre educação e classe social mostra um processo naturalizado por todos, a avaliar e analisar um certo conflito entre as finalidades socializadoras da o comportamento dos alunos. escola (valores coletivos) e a educação doméstica (valo- Posto desta forma, nota-se que o enfoque so- res individuais), ou seja, entre a organização da família e ciológico aborda os determinantes ambientais e cultu- os objetivos da escola. As famílias que não se enqua- rais presentes na relação família-escola, destacando que dram no suposto modelo desejado pela escola são cabe à escola cumprir as exigências sociais, enquanto o consideradas as grandes responsáveis pelas dispari- enfoque psicológico considera os determinantes psico- dades escolares. Seguindo este enfoque, faz-se necessá- lógicos presentes na estrutura familiar como os grandes rio, para o bom funcionamento da escola, que as famílias responsáveis pelo desencontro entre objetivos e valores adotem as mesmas estratégias de socilização por elas nas duas instituições. Assim, em uma espécie de com- C.B.E. OLIVEIRA & C.M. MARINHO-ARAÚJO utilizadas. plementaridade, encontra-se um velado enfrentamento Assim, a representação de modelo familiar da escola com a família, aparentemente diluído nos certo/correto ganha projeção e se naturaliza, tendo a grandes projetos de participação e de parceria entre própria escola como disseminadora da ideia de que esses dois sistemas, podendo-se afirmar que em ambos algumas famílias operam de modo diverso do seu obje- os enfoques destacam-se dois aspectos principais: 1) a tivo. Em função dessa divergência, as estratégias de incapacidade da família para a tarefa de educar os filhos socilização das famílias passam a ser a preocupação da e 2) a entrada da escola para subsidiar essa tarefa, princi- escola, de forma que esta amplia seus âmbitos de ação, palmente quando se trata do campo moral (Oliveira, tentando assumir ou tentando substituir a família em 2002). sua ampla missão socializadora. Para Oliveira (2002), há A partir destas colocações, vê-se que a relação uma intenção que passa muitas vezes despercebida família-escola está permeada por um movimento de nessa tentativa de aproximação e colaboração, que é a culpabilização e não de responsabilização compar- 102 de promover uma educação para as famílias tidas como tilhada, além de estar marcada pela existência de uma Estudos de Psicologia I Campinas I 27(1) I 99-108 I janeiro - março 2010 forte atenção da escola dirigida à instrumentalização diária; b) os professores comunicarem-se com os pais, dos pais para a ação educacional, por se acreditar que a que se refere à função da escola de informar os pais participação da família é condição necessária para o acerca do regulamento interno da escola, dos progra- sucesso escolar (Oliveira, 2002). mas escolares e dos progressos e dificuldades dos filhos; c) envolvimento dos pais na escola, apoiando volunta- A quem caberia a responsabilidade riamente a organização de festas e alunos com dificulda- de construir essa relação? des de aprendizagem; d) envolvimento dos pais em atividades de aprendizagem, em casa, participando da No relato de muitos professores há a afirmação realização de trabalhos, projetos e deveres de casa; e) de que, apesar de abrirem as portas da escola à parti- envolvimento dos pais na direção das escolas, influen- cipação dos pais, esses são desinteressados em relação ciando e participando da tomada de decisões, se possível. à educação dos filhos, na medida em que atribuem à O aspecto mais comum entre os três modelos escola toda a responsabilidade pela educação. Esta argu- (Joyce Epstein, Don Davies e Owen Heleen) refere-se ao mentação dos professores “visa, apenas, culpar a víti- fato de que em todos a ação dos pais é priorizada, seja ma e é uma visão pessimista das relações escola/pais” diante de questões pedagógicas (ensino tutorial em casa (Marques, 1999, p.15), a partir da qual não se consegue ou na escola, trabalho voluntário dos pais na escola e dar passos positivos para ultrapassar os obstáculos à na sala de aula, apoio na realização de tarefas, trabalhos relação família-escola. e atividades de aprendizagem) ou de questões políticas Ao contrário dos professores que acreditam que (pais com poder deliberativo na escola, participando e os pais é que devem ir à escola mostrando-se inte- influenciando a tomada de decisões). Os modelos pouco ressados pelo desenvolvimento de seus filhos e pela se referem às ações da escola e dos professores no sen- relação entre família e escola, Tancredi e Reali (2001), tido de promover a relação família-escola; tais ações Reali e Tancredi (2002), Caetano (2004) acreditam que a são referidas somente nas ocasiões em que cabe à escola construção da parceria entre escola e família é função informar aos pais acerca do regulamento interno da inicial dos professores, pois eles são elementos-chave escola, dos programas escolares e de progressos e difi- no processo de aprendizagem. Dada a formação pro- culdades dos filhos. fissional específica que têm, as tentativas de aproxima- Ao listar as “16 maneiras de envolver os pais na ção e de melhoria das relações estabelecidas com as escola”, Marques (1999) fez uma adaptação do trabalho famílias devem partir, preferencialmente, da escola, pois de Joyce Epstein e elaborou uma lista de procedimentos “transferir essa função à família somente reforça que podem favorecer a aproximação das famílias. Entre- sentimentos de ansiedade, vergonha e incapacidade tanto, tal lista menciona, exclusivamente, ações a serem aos pais, uma vez que não são eles os especialistas em desencadeadas pelos pais no contexto familiar, sem educação” (Caetano, 2004, p. 58). haver menção à interação família-escola. Todavia, apesar desse discurso em que se fala Além de tais ações se referirem apenas a atitudes que a escola é que deve ir às famílias, os modelos de a serem adotadas pelos pais, fica explícita, entre as ma- envolvimento entre as famílias e a escola focalizam neiras listadas, a crença existente acerca da necessida- principalmente os pais e se referem pouco às ações de de orientar e ensinar aos pais sobre como ensinar A RELAÇÃO FAMÍLIA-ESCOLA dos professores e da escola na promoção da relação seus filhos: “explicar aos pais certas técnicas de ensino” família-escola, como mostram os modelos propostos ou “propor aos pais que treinem os filhos, ajudando-os por Joyce Epstein, Don Davies e Owen Heleen (Marques, a fazer exercícios de leitura, matemática, etc.” (Marques, 1999). 1999, p. 21). Para exemplificar, o modelo de Joyce Epstein Tais atitudes decorrem da noção da escola de (Marques, 1999) defende a existência de cinco tipos de que o envolvimento dos pais aparece relacionado à envolvimento: a) os pais ajudarem os filhos em casa, participação e colaboração nas atividades propostas que diz respeito à função dos pais em atender as necessi- pela escola e no interesse pelo desempenho de seus dades básicas dos filhos e em organizar a rotina familiar filhos. As expectativas quanto à participação dos pais 103 Estudos de Psicologia I Campinas I 27(1) I 99-108 I janeiro - março 2010 envolvem o acompanhamento da tarefa de casa ou a que tem funções diferentes para cada fase da vida formação do aluno em termos de disciplina, respeito e (Oliveira, 2002). comportamento adequado (Hernández, 1995). A comunicação entre escola e família passa pela Junto a diretores e professores percebe-se, tam- intermediação da criança, sendo esta comunicação bém, a pouca tendência da escola para buscar uma aparentemente de mão única, por haver pouco espaço parceria. É interessante observar a colocação acerca do institucional para a manifestação das famílias. A ação posicionamento contraditório dos diretores e professo- das famílias é limitada e determinada de acordo com res que, por um lado, “acusaram os pais de falta de com- os interesses da escola. Assim, “num primeiro momento, preensão ou aceitação dos problemas das crianças, e o defende-se uma participação ampla dos pais na escola, pouco retorno de seus esforços para ajudá-los” mas o que se verifica é uma participação que tem a ver (Hernández, 1995, p.107), mas, por outro lado, sentem-se com o fato de conhecer o trabalho da escola” (Oliveira, invadidos pela presença dos pais, pois consideram que 2002, p.105). os pais não sabem participar com uma relação de cola- Quanto ao tipo de interação estabelecido entre boração, mas sim de cobrança, uma vez que não enten- professores e famílias, “além de dar uma falsa aparência dem do processo de ensino-aprendizagem. de intimidade, dá ao professor o controle do ‘diálogo’ À família são impostos limites para entrar em mantido” (Tancredi & Reali, 2001, p.12), já que as famílias questões próprias da escola, como no campo peda- são recebidas nos portões da escola, ou na porta da sala gógico. Mas o mesmo parece não acontecer com a de aula, a partir da reinvidicação das próprias famílias, e escola em relação à sua entrada na família, pois aquela pouco tempo é dedicado a esta interação. acredita estar autorizada a penetrar nos problemas As famílias não são vistas pelos professores como domésticos e a lidar com eles, além de se considerar parceiras que têm objetivos comuns, apesar de estas se apta a estabelecer os parâmetros para a participação e mostrarem conscientes do importante papel da escola- o envolvimento da família. rização na vida dos filhos, e de estarem dispostas a Na tentativa de entender os fatores e razões que contribuir com a escola (Reali & Tancredi, 2002). Na levam a escola e seus atores a atribuir importância funda- compreensão dos professores, o apoio dos pais no pro- mental a esta relação, segue um levantamento de pes- cesso de ensino “se limita a reforçar aquilo que o professor quisas científicas realizadas sobre esta temática, dando realiza e pede às crianças, ao invés de sugerir que os prioridade aos trabalhos desenvolvidos no contexto pais poderiam se envolver mais com questões escolares brasileiro. de maneira mais participativa e recíproca” (Bhering, 2003, p.499). Caminhos para estudar a relação família-escola Pesquisa com professores e diretores também apontou que o principal aspecto positivo ou vantagem A visão da escola da aproximação da família com a escola é o envolvi- C.B.E. OLIVEIRA & C.M. MARINHO-ARAÚJO mento dos pais na educação dos filhos. Este envolvimen- Uma das possibilidades para se estudar o tema to diz respeito “a atitudes de co-responsabilidade e da relação família-escola é conhecer as concepções de interesse dos pais com o processo de ensino-aprendi- professores a respeito das famílias de seus alunos. Nesse sentido, pesquisa realizada com professores da edu- zagem incluindo a participação ou colaboração em ativi- cação infantil em uma escola do interior paulista sugere dades, em eventos ou solicitações propostas pela escola” um desconhecimento, por parte dos professores, das (Hernández, 1995, p. 59). características das famílias atendidas, ou uma imagem Entretanto, envolver a família na educação esco- estereotipada das mesmas, uma vez que as descrições lar pode representar uma ameaça para alguns professo- feitas estão carregadas de conotações negativas e pre- res, por se sentirem destituídos de sua competência e conceituosas (Tancredi & Reali, 2001). Na visão de alguns de seu papel de ensinar, apesar de que “a presença e professores o modelo de família que se configura é uma participação dos pais na escola não pode e não deve 104 família idealizada, que oferece suporte, aconchego e siginificar uma desresponsabilização dos professores Estudos de Psicologia I Campinas I 27(1) I 99-108 I janeiro - março 2010 para com a aprendizagem dos alunos e do governo Para os pais, o envolvimento refere-se a uma com o financiamento da educação” (Tancredi & Reali, forma de participar intensamente de atividades rela- 2001, p.4). cionadas ao ensino e à aprendizagem escolar, tanto em Quanto às dificuldades encontradas no estabe- casa quanto na escola; diz respeito a diversos procedi- lecimento de relações harmoniosas, pode-se citar a mentos adotados pelos pais para auxiliar na aprendiza- forma que a escola adota, geralmente, para estabelecer gem dos filhos (deveres de casa, leitura de livros, jogos contato com as famílias, a qual é unidirecional (parte da que estimulam o desenvolvimento cognitivo) e à partici- escola para a família) e motivada por situações de baixo pação ativa na escola (na sala de aula, biblioteca, excur- rendimento escolar e de mau comportamento dos alu- sões). A ajuda ou colaboração refere-se à prestação de nos (Bhering, 2003). serviços como, por exemplo, em eventos sociais, feiras, festivais, excursões e aquisição de materiais e equipa- Outro membro da comunidade escolar que tam- mentos para a escola. bém está envolvido nas relações entre família e escola é Na visão das famílias as interações estabeleci- o psicólogo escolar; portanto, ainda dentro da visão da das com a escola ocorrem nos horários de saída, nas escola sobre esta relação, tem-se as concepções dos reuniões de pais convocadas pela escola ou em datas psicólogos escolares. Nesta perspectiva, pesquisa realiza- comemorativas, o que ilustra um relacionamento super- da junto a psicólogas escolares na região de Campinas ficial e limitado a situações “formais”, como as reuniões (SP) (Leal, 1998) apontou que a escola é que determina bimestrais e as comemorações, ambas organizadas pela os tipos e a frequência das oportunidades de participa- escola (Reali & Tancredi, 2002). ção dos pais. A responsabilidade pelo sucesso ou pelo Quanto à função de cada um (pais e professores), fracasso da relação foi atribuída, pelas psicólogas, a embora apresentem preocupações comuns, como o ambos os sistemas envolvidos, enquanto em relação à bom desempenho escolar das crianças, pais e professo- qualidade da relação família-escola, tenderam a respon- res acreditam ter tarefas diferentes e mostram-se relu- sabilizar mais a família que a escola pela insuficiência e tantes em fazer aquilo que consideram ser tarefa do obstáculos encontrados. outro. Para os pais, os professores deveriam manter a Para as psicólogas pesquisadas, promover a educação escolar como sua responsabildiade, enquanto integração e orientar a família são maneiras importantes aos pais caberia assegurar que as crianças estivessem de mediar a relação família-escola, havendo uma “clara prontas para a educação escolar (Bhering, 2003). tendência dessas psicólogas em se envolver mais na Ainda quanto à opinião dos pais, o Ministério da orientação de pais e em reunião de pais, despendendo Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estu- mais tempo e oferecendo com maior freqüência, o dos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), serviço de orientação” (Leal, 1998, p.96). Assim, a atuação realizou um estudo de âmbito nacional sobre a relação dessas psicólogas restringe-se principalmente à orienta- família, escola e educação (Brasil, 2005). No âmbito ção aos pais, levando à reflexão de que o psicólogo nacional, as reuniões de pais e professores são os eventos parece não estar investindo em inovações para possibi- que mais mobilizam os responsáveis, sendo que um litar ou melhorar esta relação. chamado imprevisto para o comparecimento à escola desperta fortes apreensões na família, pois surge, de A visão dos pais imediato, a ideia de que a convocação está relacionada A RELAÇÃO FAMÍLIA-ESCOLA a problemas disciplinares de alguma gravidade, ou de Outra possibilidade para se estudar o tema da baixo rendimento ou, ainda, de alguma deficiência, relação família-escola é conhecer a concepção dos pais tratando-se, sempre, de um fato já ocorrido e que será sobre a relação entre família e escola. Os estudos de apenas comunicado aos pais. Bhering e Siraj-Blatchford (1999) e Bhering (2003) identi- ficaram que, para os pais, o envolvimento deve ser de A visão dos alunos responsabilidade e iniciativa da escola, enquanto o papel deles seria complementar às metas educacionais Comumente, as pesquisas realizadas sobre a da escola. temática da relação família-escola privilegiam as opi- 105 Estudos de Psicologia I Campinas I 27(1) I 99-108 I janeiro - março 2010 niões dos professores e dos pais. Todavia, duas pesquisas constata, ainda, que os alunos da 8ª série se sentem recentes focalizam a opinião dos alunos sobre a temática mais responsáveis pela intermediação (entregar bilhetes, da relação família-escola. avisos e informes), enquanto os alunos da 1ª série se Um estudo realizado junto a estudantes do sentem mais responsáveis pelo estímulo à participação ensino médio de uma escola particular em Curitiba (PR) (contar mais sobre as atividades desenvolvidas na escola, investigou como os alunos das três séries do ensino solicitar a participação dos pais etc.). médio (1°, 2° e 3° anos) veem a relação da escola com Este último dado sinaliza para o importante pa- a família. De acordo com os resultados, identificou-se pel que os próprios alunos podem assumir diante das que os alunos das três séries percebem a relação relações entre suas famílias e a escola, pois, geralmente, família-escola de uma maneira muito negativa. Para os ao investigar os processos de comunicação entre a alunos, a cobrança quanto ao rendimento escolar é uma família e a escola, suas influências, intersecções e intera- questão bastante presente; a relação familiar baseada ções, as pesquisas focalizam especialmente o papel dos no diálogo mostra-se comprometida devido à falta de adultos nesta interrelação. tempo dos pais e à não liberdade que os alunos têm A partir dos relatos de pesquisas que, em seu para tratar de suas intimidades com os pais (Cardoso, desenho metodológico, investigaram a visão dos dife- 2003). A convocação dos pais ao colégio em situações rentes segmentos de participantes envolvidos na relação que se referem apenas às notas ou ao comportamento família-escola, pode-se observar o quanto esta relação deixa os alunos “revoltados” por não terem sido consul- se apresenta de maneira diferente para cada um deles. tados e por não haver a mesma ação quando se trata de Se, por um lado, pais e professores compartilham a elogios. preocupação com o desempenho escolar dos filhos e Em pesquisa realizada no Distrito Federal (DF) alunos, de outro, não compartilham as mesmas ideias sobre as relações família-escola, também participaram sobre como cada um desses segmentos pode contribuir alunos de 1ª, 5ª e 8ª séries do ensino fundamental de para o sucesso dos filhos. Além disso, se para os pais e escolas públicas do DF. Os resultados obtidos na pesqui- para a escola o rendimento escolar é um aspecto que sa apontam que, na visão dos alunos, há paulatinamente motiva a relação família-escola, para os alunos, a cobran- um decréscimo da participação dos pais nas atividades ça quanto ao rendimento escolar é uma questão bas- programadas pela escola, à medida que o aluno avança tante presente e negativa. na série. “Os pais das séries iniciais estão mais presentes nas atividades programadas pela escola, havendo uma A partir desta breve descrição de pesquisas diminuição da sua participação quando o aluno avança científicas, entende-se que pontos importantes para a na série, de modo que, na 8ª série, a sua participação é compreensão atual da relação família-escola foram bastante limitada” (Polonia, 2005, p.155). sinalizados, além de outros que apontam para aspectos que precisam ser modificados em prol do sucesso desta De acordo com os alunos, a presença nas relação. C.B.E. OLIVEIRA & C.M. MARINHO-ARAÚJO reuniões e conselhos de classe é a atividade mais fre- quente com envolvimento dos pais, superando a parti- cipação nos eventos socioculturais, em que se nota um Considerações Finais decréscimo na participação, especialmente para os alunos de 5ª e 8ª séries (Polonia, 2005). Entre as instituições que se responsabilizam pelo Entre as ações apontadas pelos alunos que processo educativo do ser humano tem-se a família e a poderiam ser desencadeadas pelos pais e pela escola escola. A literatura contemporânea indica que a família para melhorar as condições da escola, destacam-se é caracterizada por, pelo menos, uma díade ou par e aquelas em que eles se posicionam como possíveis pela presença de intimidade na relação, e tem como mediadores da relação família-escola, ou seja, aquelas função orientar os sujeitos no desenvolvimento e aqui- ações que podem ser realizadas pelos próprios alunos, sição de comportamentos aceitos socialmente. A escola, como estimular a participação dos pais e intermediar a por sua vez, tem como função a socialização do saber 106 comunicação entre a escola e os pais. Polonia (2005) sistematizado historicamente. Estudos de Psicologia I Campinas I 27(1) I 99-108 I janeiro - março 2010 Escola e família são instituições diferentes e que Diante disso, um importante desafio surge para os pes- apresentam objetivos distintos; todavia, compartilham quisadores, estudiosos e profissionais da educação: o a importante tarefa de preparar crianças e adolescentes de modificar a relação família-escola no sentido de que para a inserção na sociedade, a qual deve ter uma ela possa ser associada a eventos positivos e agradáveis característica crítica, participativa e produtiva. e que, efetivamente, contribua com os processos de Analisando a história da relação que se estabe- socialização, aprendizagem e desenvolvimento. leceu entre escola e família ao longo do tempo, iden- Para que este desafio seja superado é necessário tifica-se que em certos momentos essa relação foi o desenvolvimento de pesquisas que invistam no conhe- caracterizada em função de determinantes sociais e, cimento da relação família-escola; por esta razão, em outros, em função de aspectos psicológicos da famí- defende-se a importância de novas investigações que lia e do próproio sujeito. Diz-se, de forma geral, que esta procurem conhecer as práticas que a norteiam e a relação sempre esteve marcada por movimentos de atuação dos profissionais que nela estão envolvidos, a culpabilização de uma das partes envolvidas, pela ausên- fim de oportunizar a reflexão e implementação de novas cia de responsabilização compartilhada de todos os possibilidades de intervenção que promovam mudan- envolvidos e pela forte ênfase em situações-problema ças significativas na relação família-escola. que ocorrem no contexto escolar. A despeito das situações-problema que per- meiam a relação família-escola, acredita-se que a ini- Referências ciativa de construir uma relação harmoniosa entre as Bhering, E. (2003). Percepções de pais e professores sobre duas instituições deve ser de responsabilidade da escola o envolvimento dos pais na educação infantil e ensino e de seus profissionais, que têm uma formação espe- fundamental. Contrapontos, 3 (3), 483-510. cífica. Contudo, os parâmetros para esta relação não Bhering, E., & Siraj-Blatchford, I. (1999). A relação escola-pais: um modelo de trocas e colaboração. Cadernos de Pesquisa, devem se basear, apenas, na função de orientar os pais 106, 191-216. sobre como ensinar seus filhos, como tem preconizado Bock, A. M. B., Furtado, O., & Teixeira, M. L. T. (1999). Psicologias: a escola. uma introdução ao estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva. Diante destes aspectos, considera-se que a rela- Brasil. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. (2005). Pesquisa nacional quali- ção entre a família e a escola tem-se caracterizado por dade da educação: a escola pública na opinião dos pais: ser um fenômeno pouco harmonioso e satisfatório, uma resumo técnico executivo. Brasília: Ministério da Edu- vez que as expectativas de cada instituição ou de cada cação. ator envolvido não são atendidas e se mostram pouco Brasil. Senado Federal. (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal. favoráveis ao crescimento e desenvolvimento dos alunos, os quais se aborrecem com a relação em vez de Caetano, L. M. (2004). Relação escola e família: uma proposta de parceria. Dialógica, 1 (1), 51-60. tê-la como fonte de apoio e colaboração. Cardoso, R. L. de C. (2003). A relação escola-família na formação A relação entre família e escola se estabeleceu, e do adolescente–aluno do Ensino Médio do Colégio Me- dianeira. Dissertação de mestrado não-publicada, Univer- ainda se mantém, a partir de situações vinculadas a sidade Tuiuti do Paraná, Curitiba. algum tipo de problema e, desta forma, pouco contribui Guzzo, R. S. L. (1990). A família e a educação: uma perspectiva A RELAÇÃO FAMÍLIA-ESCOLA para que as duas instituições possam construir uma da integração família-escola. Estudos de Psicologia parceria baseada em fatores positivos e gratificantes (Campinas), 7 (1), 134-139. relacionados ao aprendizado, desenvolvimento e su- Hernández, A. M. S. (1995). A relação escola e família na opi- não de seus agentes. Dissertação de mestrado não-publi- cesso dos alunos. cada, Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Em virtude desta marca no entrelaçamento entre Leal, G. C. (1998). Relação entre família e escola: o psicólo- a família e a escola, as posturas relacionadas a esta go escolar como mediador. Dissertação de mestrado não-publicada, Pontifícia Universidade Católica de relação caracterizam-se por ser defensivas e acusativas, Campinas. como se cada um buscasse se justificar e encontrar ra- Marques, R. (1999). A escola e os pais, como colaborar? Lisboa: zões para a desarmonia que caracteriza tal relação. Texto Editora. 107 Estudos de Psicologia I Campinas I 27(1) I 99-108 I janeiro - março 2010 Oliveira, L. C. F. (2002). 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Pedagogia histórico-crítica: primeiras Versão final reapresentada em: 18/12/2008 aproximações. Campinas: Autores Associados. Aprovado em: 5/3/2009 C.B.E. OLIVEIRA & C.M. MARINHO-ARAÚJO 108 Estudos de Psicologia I Campinas I 27(1) I 99-108 I janeiro - março 2010

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