Resumo Módulo 4 PDF: Cicatrização de Feridas, Suturas e Cuidados Veterinários
Document Details

Uploaded by ThumbUpShakuhachi5304
Tags
Summary
Este documento, em formato PDF, apresenta um resumo do Módulo 4 sobre cicatrização de feridas, tipos de suturas, pensos e cuidados em veterinária. Aborda também a preparação para cirurgias, cuidados com animais hospitalizados e reabilitação.
Full Transcript
Resumo Módulo 4 Unidade 1 Cicatrização de feridas Quando um animal produz uma ferida, imediatamente começa um processo designado por cicatrização. A primeira fase é a hemóstase, onde é formado um coágulo graças às plaquetas e aos fatores de coagulação do sangue. Durante a fase inflamatória, os l...
Resumo Módulo 4 Unidade 1 Cicatrização de feridas Quando um animal produz uma ferida, imediatamente começa um processo designado por cicatrização. A primeira fase é a hemóstase, onde é formado um coágulo graças às plaquetas e aos fatores de coagulação do sangue. Durante a fase inflamatória, os linfócitos e macrófagos, juntamente com as imunoglobulinas procedentes do exsudado capilar, controlam a proliferação bacteriana. Além disso, estas células eliminam os resíduos da ferida e oferecem ao tecido em reparação os nutrientes necessários. As células basais da epiderme começam a replicar e a avançar desde os bordos da ferida até ao centro, esse processo se chama epitelização. Durante esse processo ocorre a neovascularização (formação de novos vasos). Todos estes processos ocorrem quase simultaneamente, a remodelação da cicatrização se alonga durante semanas ou meses. Existem três tipos de cicatrização: - Primeira intenção: feridas sem perda de tecido, sem infeção e sem desvitalização. Pouco tecido de granulação, acontece em feridas cirúrgicas. - Segunda intenção: feridas abertas ou com infeção, necrose ou corpos estranhos. Muito tecido de granulação e é necessário desbridar a zona, eliminando o tecido necrótico. - Terceira intenção: feridas crónicas, onde existe tecido de granulação que promove a cicatrização da ferida, geralmente são feridas infetadas. Deve ser retirado o excesso de tecido, revitalizar os bordos e controlar a infeção. Alguns fatores que influenciam o tempo de cicatrização são: - Se há infeção; corpos estranhos; sujidade; necrose do tecido ou hemorragias intensas; - O tipo de tecido lesionado; - A quantidade de tecido perdido; - Doenças; - Estado de saúde e idade. Suturas As suturas são classificadas nos seguintes aspetos: - Origem do material: natural (seda, catgut, linho) ou sintético (nylon) - Absorção pelo organismo: absorvível (catgut, ácido poliglicólico) ou não absorvível (nylon, polipropileno, seda, algodão, poliéster) - Estrutura: monofilamentar ou multifilamentar As suturas monofilamentares são menos traumáticas para os tecidos, mais difíceis de serem contaminadas com bactérias e produzem menos reação tecidular, se retirando facilmente. Porém, são mais difíceis de manusear, e os nós são menos seguros. As suturas multifilamentares podem ser revestidas para diminuir a capilaridade e o dano nos tecidos. As suturas absorvíveis geralmente se utilizam no interior do organismo onde, por ação enzimática ou por hidrólise, são progressivamente absorvidas. As suturas da pele, onde os pontos podem ser removidos, geralmente são feito com “fios” não absorvíveis. A espessura das suturas se mede pelo sistema USP, de 10/0 até 7, sendo 10/0 o mais fino. A ponta da agulha pode ser triangular ou cónica, a triangular é mais traumática ao entro no tecido. Tipos de suturas Independentemente da técnica de sutura que se escolhe devem seguir algumas normas: - Limpar a ferida, desinfetar e eliminar tecido necrótico, se houver, previamente. - Ponto de entrada da agulha estar aproximadamente 3mm do bordo da ferida - Todos os pontos devem ser iguais e equidistantes. - Não deve ser exercida demasiada tensão na sutura - As pontas dos nós devem ser curtas - Suturar os diferentes tipos de tecido separadamente: muscular, subcutâneo e pele. As descontínuas consistem em criar um ponto isoladamente antes de avanças para o próximo: - Simples: cruzar bordos da ferida, um de cada vez, de fora para dentro; - Simples invertido: igual, porém inicia na parte interna, ficando o nó sob a pele; - Em cruz: dois pontos simples, consecutivos e perpendiculares à ferida, une a ponta do fim do segundo ponto à ponta do início do primeiro ponto - Em U Horizontal: dois pontos simples em que o segundo ponto começa pelo lado em que saiu o primeiro. - Em 8: Entrecruza ponto simples As suturas contínuas consistem numa sucessão de pontos que permitem suturar utilizando uma menor quantidade de fio de sutura: - Simples: pontos simples com um nó no primeiro e último ponto. - Ancorada: igual, mas em cada ponto é passado o fio por baixo do ponto anterior. - Colchoeiro: sucessão de pontos em U. - Bolsa de tabaco: ponto simples em redor da abertura do órgão Pensos Os pensos se realizam para eliminar os potenciais focos de infeção que possam ocorrer e retardar a saudável cicatrização da ferida. Os materiais utilizados para a realização de pensos são: - Ligaduras de gaze de 5cm, 7.5cm ou 10cm de largura - Algodão em rolos - Adesivos - Petflex (ligadura autoadesiva) - Talas - Gesso ou fibra de vidro - Compressas e apósitos - Tesoura para pensos Tipos de pensos e ligaduras O penso não deve estar demasiado apertado ou largo, deve estar sempre seco e o animal não lhe deve conseguir aceder. Penso de Robert Jones – Coloca uma tira de adesivo nas faces anterior e plantar do membro, deixando as pontas soltas. Depois cobre todo o membro com uma camada de ligadura de gaze e depois com várias camadas de algodão em rolo. Por fim se acrescenta uma volta com ligadura de gaze, se dobrando as extremidades dos adesivos colocados inicialmente e colocando sobre esta. Ligadura de Velpeau – Deve acolchoar as zonas do carpo e tórax com algodão e em seguida flexiona completamente o membro anterior, de modo que fique acondicionado junto ao tórax. Tem função de imobilizar o ombro. Ligadura de Ehmer – Deve acolchoar a zona do tarso e em seguida dobrar a extremidade do membro posterior e se liga em forma de oito, garantindo a união da zona do tarso com o fémur. Por fim, envolve a ligadura para acondicionar o membro junto ao corpo. Tem função de imobilizar a anca. Sala de cirurgia O material de cirurgia é fabricado em aço inoxidável. As condições de conservação são decisivas. Para a limpeza deve utilizar detergentes não corrosivos, uma escova de cerdas não metálicas e limpar os instrumentos o mais depressa possível. Os instrumentos devem ser escovados com as articulações abertas para limpar bem essa zona, não deve ser utilizado lixívia. Uma vez limpos, bem enxaguados e secos devem ser esterilizados, idealmente no autoclave ou estufa. Devem ser guardados onde não sejam suscetíveis de contaminação. É importante que as tesouras cortem bem, que as pinças fechem perfeitamente, etc. Se não estiverem nas condições adequadas pode condicionar o trabalho do cirurgião. Os instrumentos mais comuns na cirurgia geral são: - Material de fixação de panos de campo (pinça backhaus) - Cabos de Bisturi de lâmina descartável - Tesouras - Pinças para segurar os tecidos - Clamps - Pinça hemostática - Afastadores - Porta-agulhas Durante a cirurgia são colocados numa mesa de apoio junto à mesa de cirurgia juntamento com os outros materiais que vão utilizar: compressas esterilizadas, lâminas de bisturi, fios de sutura, etc. Equipamentos da sala de cirurgia - Mesa de cirurgia - Iluminação - Aparelhos de monitorização - Equipamento de anestesia inalatória - Gerador de oxigénio - Ventilador automático - Bisturi elétrico: cauteriza os capilares à medida que se corta o tecido - Bisturi laser: corta tecidos sem que haja hemorragias nem inflamação - Bomba de infusão - Aspirador cirúrgico Preparação da sala de cirurgia Para a preparação da sala de cirurgia no dia antes é necessário: - Assegurar a limpeza da sala - Selecionar o material segundo o tipo de cirurgia e tamanho do animal - Colocar a manta elétrica, colchão, bisturi elétrico, aparelho de anestesia inalatória, monitor e todos os equipamentos necessários - Ligar os raios UV para esterilizar o ar No dia da cirurgia deve comprovar que todos os aparelhos estão ligados e devidamente preparado. Na mesa de apoio esterilizadas ou sobre um pano de campo esterilizado, devem ser abertas as compressas, lâminas de bisturi, suturas, etc. sem tocar no material interior. Preparação dos recursos humanos Os humanos presentes na cirurgia têm que ter muito cuidado e seguir a preparação corretamente: - Colocar touca e máscara - Lavar as mãos e braços, secando com uma toalha esterilizada - Vestir a bata de cirurgia esterilizada e as luvas - Todo o material que não se encontra nas devidas condições deverá ser o auxiliar a manipular. Preparação do paciente Deve fazer uma avaliação pré-cirúrgica a qualquer animal que vá ser intervencionado. A magnitude da avaliação depende das condições do paciente, da espécie, raça, idade, tipo de cirurgia, anestesia que vai utilizar, urgência, etc. Regra real, se o animal for jovem faz apenas uma análise sanguínea básica, e se for mais velho, também se realizam radiografias torácicas e eletrocardiograma. Pode classificar o paciente de acordo com o risco anestésico, segundo a escala da ASA: - ASA I: saudável, sem risco - ASA II: doença sistémica ligeira, controlada e compensada, com risco ligeiro - ASA III: doença sistémica grave, não compensada, maior risco - ASA IV: doença sistémica grave que constitui uma ameaça para a vida, alto risco - ASA V: doente terminal ou moribundo, cuja expectativa de vida não se espera que seja mais de 24 horas. Risco muito alto, cirurgia de vida ou morte, mas se não operar o animal não tem possibilidade de sobreviver. Preparação pré-cirúrgica O animal deve estar de jejum de 12 horas de comida e 6 de água. É necessário tosquiar a zona onde se vai proceder à incisão e deve limpar a zona com água/sabão antissético. Uma vez na sala, coloca o animal na posição adequada e prende à mesa, atando as extremidades dos membros. Depois deve limpar novamente a zona com compressas impregnadas com antissético. Coloca os panos de campos sobre o animal para que as zonas não esterilizadas não fiquem a descoberto, deve fixar os panos com pinças de campo. Anestesia e monitorização A anestesia tem várias fases: - Pré-medicação: reduz o stress e provoca analgesia - Indução: deprime o sistema nervoso central e permite entubar o animal - Manutenção: mantém o plano anestésico e a analgesia durante toda a cirurgia - Recuperação: fase de eliminação da anestesia Emergências durante a cirurgia As complicações mais frequentes são: erros na entubação, bradicardia, apneias, hipotensão, presença de dor ou anestesia demasiado superficial. Se for a entubação, deve retirar o tubo e voltar a introduzir. Se for a anestesia deve intorromper o fluxo ou aumentar a dose. Cirurgias mais frequentes As cirurgias mais frequentes são as relacionadas com o aparelho reprodutor e com a pele. - Castração - felídeos - Castração - canídeos - Ovariohisterectomia (OVH) - Mastectomia Unidade 2 Área de hospitalização A área de hospitalização é onde se alojam os animais que permanecem na clínica, por diferentes motivos. As causas de hospitalização são: - Recuperação pós-cirúrgica - Observação (após acidente, durante tratamento, evolução de patologia, etc.) - Animais que precisam de suporte vital - Animais que esperam por um procedimento. Características da área de hospitalização A área de hospitalização deve ser isolada do resto do hospital, o chão e as paredes devem ser fáceis de limpar e deve ter o seguinte: - Jaulas de hospitalização de diferentes tamanhos - Zona de tratamentos - Zona de limpeza A área deve estar numa temperatura agradável, aproximadamente 25ºC. Nos casos dos animais que precisam de uma temperatura mais elevada, pode tapar com mantas, colocar mantas térmica ou sacos de água quente, ou até numa jaula com aquecimento. Isolamento de doenças infeciosas É aconselhável ter uma sala separada, podendo ela ser menor e com menor número de jaulas. Se a clínica for pequena e não houver uma área separada o animal fica na sala normal e outros animais ficam numa sala à parte, numa jaula ou caixa de transporte. É muito importante limpar e desinfetar a zona onde o animal de doença infeciosa fica, e quando tiver alta, tem de fazer uma limpeza e desinfeção exaustivas e tirar todo o material descartável utilizado. Ficha de hospitalização Os animais devem sempre se encontrarem bem identificados e ter por perto os dados de contacto do dono e ficha de hospitalização individual. A ficha deve ser colocada ao lado da jaula com os seguintes dados: - Nome, espécie, raça, idade e sexo do animal - Nome e telefone do dono - Motivo da hospitalização, dia e hora - Procedimentos hospitalares 1. Hora, via e dose dos medicamentos 2. Observações com detalhes e hora: vómito, micção, defecação, etc. 3. Resultados do exame físico e complementares: temperatura, análises, etc. 4. Procedimento clínico seguinte programado 5. Pessoa que realiza cada procedimento deve estar identificada Regras gerais Se o veterinário ver necessidade de hospitalizar um animal, o auxiliar deverá elaborar um orçamento com os gastos previstos. Se for dado o consentimento, o auxiliar vai prepara a jaula com as necessidades específicas. Os dados do paciente, cliente e hospitalização vão ser anotados na folha de hospitalização. A primeira coisa a fazer é escolher a jaula, de acordo com as necessidades do animal. Se for fêmea no cio e um cão na sala, ou se for um gato com um cão na sala, devem ser colocados, se possível, numa sala separada, se não possível colocar a modo que não se vejam. Os trabalhos diários devem ser sempre realizados com luvas, um novo par para cada animal. Os trabalhos são: - Passeio e/ou limpeza da jaula e do animal, pelo menos 3 vezes ao dia e sempre que necessário - Comprovar o bom funcionamento dos sistemas de soros, bombas de infusão, jaula termorreguladores e/ou monitores. - Monitorizas todos os pacientes e anotar, na folha de hospitalização: temperatura, defecações, vómito, etc. - Oferecer comida e/ou bebida específica aos animais que alimentam por si mesmo e alimentar com seringa ou sonda os que necessitam - Administrar os tratamentos convenientes, segundo o critério do veterinário - Mudar ligaduras ou pensos, quando se sujam ou segundo as indicações. Cuidados especiais Alguns animais não podem receber medicamentos por via oral, se estiver a receber fluidoterapia e o medicamento puder ser administrado por via endovenosa é uma boa maneira de o fazer. Alguns animais necessitam de análises frequentemente e nos que precisam tirar amostras de sangue com frequência, pode ser colocado um cateter endovenoso. Fluidoterapia A fluidoterapia é a administração de fluidos para corrigir ou prevenir as perdas de líquidos que conduziram à desidratação. Está indicada em animais desidratados, hipovolémicos, que sofreram uma hemorragia moderada/grave, etc. Tem de se elaborar um plano que terá de ser escrito na ficha de hospitalização: o tipo de soro, quantidade, velocidade, via de administração e os suplementos. Para determinar a quantidade deve somar o volume a repor, o volume de perdas continuadas e o volume de manutenção. Uma desidratação menor que 4% não origina sintomas, de 10% é urgência e 15% é incompatível com a vida. Volume a administrar: % desidratação x peso vivo (KG) x 1000 = ml necessários Normalmente se prefere a via endovenosa por ser mais rápida, recupera a volémia em animais hipovolémicos, permite administração de medicamentos, etc. Nos estados menos graves, pode utilizar via subcutânea, e nos casos de estado não grave e sem vómitos pode usar via oral. O volume calculado é diário, logo tem de se dividir por 24 horas para determinar o volume em ml/hora. Existem dois tipos de fluídos: cristaloides e coloides. - Cristaloides: compostos por água e eletrólitos. Sua composição permite sair dos vasos e hidratar os tecidos - Coloides: compostos por proteínas e polissacáridos, que devido ao tamanho não saem de dentro dos vasos. 1. Naturais: albumina, plasma, sangue total 1. Sintéticos: gelatinas, dextranos, hidroxietil Adicionam suplementos aos fluidos para os complementar: potássio, fósforo, cálcio, magnésio, vitaminas, bicarbonato de sódio (casos de acidoses metabólicas, não misturar com cálcio), glucose, manitol. Reabilitação A reabilitação ajuda os cães a tratar lesões musculoesqueléticas, nervosas, orgânicas e melhorar alguns sintomas como a dispneia, dor ou obstipação. Objetivos: - Diminuição da dor e inflamação - Reeducação da locomoção - Recuperação do arco de mobilidade articular - Aumento da velocidade de cicatrização - Remodelação de tecidos cicatriciais - Atraso da atrofia muscular - Aumento da força e resistência musculares - Redução dos espasmos musculares - Aumento da resistência cardiovascular - Melhoria da função e a independência das atividades diárias. Existem dois tipos de reabilitação: passiva (realizadas pelo veterinário) e ativas (realizadas pelo cão). As passivas são: aplicação de frio ou calor, massagens, electroestimulação e ultrassons. As ativas são: cinesioterapia e hidroterapia.