Summary

Este documento apresenta um resumo da arquitetura gótica, suas características principais, como o arco ogival, abóbadas de cruzaria e vitrais, além de sua evolução e influência em Portugal, incluindo o estilo Manuelino. O texto aborda também as inovações técnicas e estéticas da arquitetura gótica.

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Objetivo da Arquitetura Gótica: Louvar a Deus: Louvar aos Homens: -“Deus é Luz” -Aos pobres, que participavam na -Catedrais são a morada de Deus construção -Aos ricos,...

Objetivo da Arquitetura Gótica: Louvar a Deus: Louvar aos Homens: -“Deus é Luz” -Aos pobres, que participavam na -Catedrais são a morada de Deus construção -Aos ricos, que financiavam a construção -Catedrais eram motivo de orgulho dos habitantes das cidades -Expansão da catedral em torno da cidade O que há de novo na arquitetura gótica? Alterações na estrutura formal ○ manteve-se a planta basilical em cruz latina, a cabeceira virada para este, e o corpo com geralmente 3 naves ○ Pináculo - estrutura de pedra pontiaguda, ou em forma de seta, decorada com rendilhados. O pináculo ajuda a aumentar a noção de verticalidade e tem função decorativa; ○ Gárgula - estrutura em pedra que se encontra no exterior da catedral, representam animais/demónios assustadores e têm 3 funções: decorar, afastar o mal e fazer o escoamento das águas do teto para o exterior; ○ Arcobotante - (semi arco), construídos por cima da cobertura das naves laterais, ajuda a transferir o peso do edifício do centro para os lados; ○ Contraforte - reforço da parede no exterior para reforçar o edifício; ○ Abóbada (ver inovações técnicas) ○ Vitrais (ver nova estética) - preenchiam as janelas, dando ao interior da capela variados padrões de luz e cor, recebendo narrativas religiosas que antes ocupavam os tímpanos, paredes e capiteis, sendo uma verdadeira manifestação da arte gótica. Estes são compostos por pequenos pedaços de vidro coloridos, unidos por um perfil de chumbo. Esta deu também uma maior possibilidade aos artistas de tirar partido da relação cor-luz, dos reflexos e das projeções cromáticas, desenvolvendo múltiplas e dinâmicas leituras visuais, isto tudo fundamentando a máxima que “Deus é Luz” ○ Janelas mais alargadas, ocupando toda a largura das paredes ○ Rosáceas tornam-se imponentes, permitindo uma melhor iluminação Inovações técnicas ○ O arco ogival (arco quebrado ou apontado) surgiu na Borgonha (a substituir o arco de volta perfeito, usado no românico) para elevar os 4 arcos (principal e formeiros) à mesma altura, distribuindo a força entre eles, o que só se poderia agudizando os arcos dos lados menores; (abóbadas de cruz ou cruzaria de ogivas) (abóbada cruzada (abóbada cruzada sexpartida) simples) As vantagens do arco ogival são: - era exercida mais pressão na lateral, permitindo uma melhor articulação de forças, e eram desviadas as forças para os pilares de sustentação e para os contrafortes no exterior, através das nervuras estruturais dos arcos. - permitiu aumentar as áreas de construção e aumentou a verticalidade dos edifícios Consequências: - necessidade de reforçar apoios exteriores com contrafortes (mais esbeltos e elegantes) Nova estética ○ aumentou a altura das abóbadas ○ pilares e colunelos mais delgados ○ acentuação da verticalidade ○ espaços internos mais amplos ○ paredes libertas do seu papel de suporte, passando a apenas delimitar e proteger espaços ○ interiores mais iluminados (melhor aproveitamento da luz) devido muito aos vitrais 4 Fases Principais do Gótico Gótico primitivo: Île de France 1140 - 1190 Introdução do (Saint-Denis) e sistema estrutural Paris gótico (arco ogival, abóbada de cruzaria de ogivas e arcobotante) Gótico clássico: Chartres, 1190 - 1240 Amadurecimento Reims, do sistema Bouges e estrutural Amiens (normalizada a utilização do arcobotante e abóbada de cruzaria, paredes mais delgadas, supressão das tribunas) Gótico radiante: Expansão 1240 - 1350 Aparecimento de (Portugal adere ao estilo, pela Europa variantes locais; ex: Mosteiro de Alcobaça) decoração mais complexa Gótico flamejante: França, 1350 - 1520 Intensa decoração (o melhor em Portugal, Alemanha e com motivos ex: Mosteiro da Batalha) Itália ondulantes (coexiste com o Renascimento) O Gótico em Portugal O Gótico chegou a Portugal muito tarde, nos meados do séc. XIII, isto devido à: falta de dinheiro isolamento geográfico na Europa instabilidade política e militar devido à guerra com os castelhanos e muçulmanos influência dos grupos religiosos Dominicanos e Franciscanos que diziam fazer voto de pobreza e por isso as igrejas e os mosteiros deviam ser mais simples, pequenos e pouco decorados Características do Gótico em Portugal O nosso Gótico foi também mais discreto e no início ainda muito conectado com o românico (ex: Sé Catedral de Évora), e teve as seguintes características: construções mais pequenas estruturas mais simples menos janelas e vitrais Arte Manuelina Em Portugal desenvolveu-se um estilo durante o séc. XVI que se inspirou no reinado de D. Manuel I e na época dos Descobrimentos (épocas prósperas). Este estilo foi sobretudo decorativo e teve as seguintes características: aproveitou muito dos edifícios góticos já construídos e deu-lhes uma nova decoração; usou motivos decorativos nacionalistas (cruz de cristo, Brasão, e esfera armilar) usou motivos/temas decorativos ligados à vida do mar (conchas, peixes, algas, âncoras, cordas, sereias e barcos) elementos naturalistas, que não estão ligados ao mar, ex:frutas Concluímos que é um estilo com uma decoração exótica, extravagante, imaginativa, mas também concentrada e exagerada. A Escultura Gótica Ganhou autonomia em relação à arquitetura, tornando-se cada vez mais independente. Gótico inicial figura alongada (estátua coluna) falta de expressividade (corpo e rosto) reformações anatómicas intencionais (corpo alongado) falta de volume (roupa e corpo) Gótico pleno Procura de uma tendência mais naturalista e realista, tanto na iconografia como no relevo e na estatuária: corpos mais volumosos posições ligeiramente curvilíneas, acentuadas pelo requebro da anca a partir do séc XIV, evidencia-se já um sinuoso S, quase em contraposto (naturalismo), numa forte tensão de linhas ondulantes as pregas concêntricas, em U e V, acentuam a forma do corpo e das ancas Séc XIV sofrimento físico e psicológico feridas exageradas (relembrando a peste negra) cristo esquelético (fome) Os escultores pisanos e a recuperação da tradição antiga Nicola Pisano e o seu filho, Giovanni Pisano, foram protagonistas de uma revolução na escultura em Itália no final do séc. XIII. Ambos durante a sua carreira receberam grandes encomendas de púlpitos. Nicola Pisano contactou com a cultura clássica estudando a escultura da Antiguidade (sobretudo os baixos-relevos dos sarcófagos romanos e os nus masculinos). Partindo quer de modelos clássicos quer paleocristãos, assimilando influências bizantinas e do Gótico francês, os Pisanos afirmaram a independência da escultura em relação à arquitetura, tentando alcançar uma linguagem autónoma (que depois culminaria no Renascimento). Isto resultou em esculturas com: maior naturalismo maior expressividade de gestos e movimentos iconografia religiosa expandida para a humanização dos temas Os Túmulos de D. Pedro I e D. Inês de Castro Os Túmulos Ambos foram construídos em estilo gótico em calcário extraído na região onde D. Inês de Castro morreu, Coimbra. A sua primeira localização foi no transepto sul do Mosteiro de Alcobaça, lado a lado, conforme a vontade de D. Pedro I. Daqui foram levados para a Sala dos Túmulos, para regressarem, no séc. XX, ao local original, onde se encontram atualmente, mas agora frente a frente e não lado a lado. D. Inês está no braço norte do transepto e D. Pedro no braço sul. Assim, segundo a lenda, quando ressuscitarem irão ver-se um ao outro. As figuras nestes túmulos estão coroadas como sendo rei e rainha, e rodeados por seis anjos que lhes levantam a cabeça, assente sobre almofadas, para os elevar para o céu, estão também decorados em alto relevo com motivos heráldicos, bíblicos, vegetalistas e geométricos. - Túmulo de D. Inês: D. Inês segura na mão esquerda enluvada a luva da mão direita que toca no colar que lhe cai do pescoço pelo peito. Os anjos, além de lhe segurarem a cabeça, ajeitam-lhe o vestido. O túmulo é rodeado de figuras que representam cenas da vida de Jesus Cristo tais como: a evolução da vida de Cristo desde a infância até à vida adulta a Paixão de Cristo desde a Última Ceia até ao Caminho para o Calvário o Calvário com Jesus ao centro e os dois ladrões, segundo o relato bíblico, à esquerda e à direita o Juízo Final, neste D. Pedro pretendeu mostrar que ambos têm um lugar no Paraíso e aqueles que os fizeram sofrer têm o seu destino na boca do Levitão, representado no canto inferior direito. -Túmulo de D. Pedro I D. Pedro segura na mão direita a espada pelo punho enquanto com a esquerda segura a bainha. O túmulo está rodeado por figuras que representam a infância e o martírio de S. Bartolomeu, seu santo protetor. Aos pés do túmulo estão representadas a Roda da Vida e a Roda da Fortuna. A Roda da Vida, a exterior, representa 12 cenas da vida amorosa e trágica de D. Pedro e D. Inês. Enquanto numa cena D. Inês acaricia um dos filhos, noutra convive toda a família, os pais e os três filhos. Numa cena jogam, noutra os amantes acariciam-se.Numa cena os assassinos de D. Inês aparecem, na cena seguinte matam D. Inês e noutra são castigados. Finalmente D. Pedro é apresentado já amortalhado. Na Roda da Fortuna, a interior, vê-se o casal antes e depois de casados e D. Afonso IV expulsa D. Inês.